CONCLUSÃO

Sendo o mundo digital constituído por milhares de conexões electrónicas entre vários computadores, também o autor se liga aos milhares de utilizadores através da sua "obra": esta ligação, sendo efectiva, uma vez que também ele está ligado à rede onde a obra se encontra alojada, proporciona um discurso mais próximo do utilizador. Efectivamente, o apreciador da obra, mais do que observá-la, utiliza-a concretamente.

Este factor tornar-se-á numa das características fundamentais do autor digital: a sua arte é completada / activada / decifrada pelo público que tem que agir sobre a obra. Para apreciar uma simples fotografia, o observador / utilizador necessita conectar-se à obra.

Seguidamente, esse produto artístico não é uno, imutável. De acordo com as condições que cada utilizador dispõe, de acordo com as configurações que cada utilizador disponha no seu "browser" ou no seu écran, assim a obra poderá "aparecer" alterada (desde o simples tamanho de um texto às cores de uma fotografia). Esta mutabilidade (característica do meio digital) estabelece, logo à partida, uma diferenciação em relação ao objecto (que é estável no tempo e no espaço). E é escusado ao autor digital procurar "impor" condições ao observador / utilizador (no sentido, por exemplo, de indicar uma definição do tamanho do écran para visualizar a obra: ao observador / utilizador caberá sempre a opção de seguir ou não essas instruções. Ou seja, em qualquer circunstância, caberá ao utilizador a decisão final de visualizar a obra de acordo com a sua própria vontade. Contrariamente a uma fotografia impressa ou a uma pintura, em que o autor, previamente define as condições em que a obra deve ser observada (tipo de papel ou tela, dimensões, cores, etc), o autor digital tem de contar com a mutabilidade imaterial do meio digital: ele é a essência na qual reside o seu trabalho.

A principal característica da "obra" digital é portanto a conectividade e consequente interactividade. O projecto artístico permite ao autor digital ligar-se directamente ao utilizador e o utilizador ligar-se directamente ao autor. Ambos comungam um estado comum: o da conectividade.

Este factor permite uma maior interacção com o público, e quanto maior for essa interacção maior capacidade terá a obra de aceitação: ou seja, os projectos artísticos na internet são em parte avaliados pelo registo do número de visitantes; ou seja, de conexões à "obra".

Outra vertente importante é a capacidade que essas "obras" têm em permitir uma avaliação in loco; ou seja, permitirem comentários por parte dos utilizadores. Algumas permitem mesmo que os utilizadores as alterem modificando alguns elementos como a cor e a forma do texto ou insiram elementos novos que são de imediato colocados na "obra". Ou seja, o projecto artístico é aberto à participação do público não só como observador / utilizador mas também como co-autoria.

Neste sentido, o autor digital não é uno, não pode ser definido através de um conceito único. É multifacetado, podendo ir do modelo clássico (que detém os direitos inquestionáveis sobre a obra) ao modelo Open Source que encara o utilizador como co-autor do próprio projecto.