RESUMO
A criação contemporânea, na sua vertiginosa "corrida" aos novos meios digitais electrónicos colocou um problema face ao criador da obra de arte: o problema da autoria. Se no passado a assinatura era a marca inquestionável da autoria do artista, o presente contemporâneo (com o uso das novas tecnologias) elevou à potência máxima o postulado de Benjamin sobre a aura da obra arte: a obra de arte passou a ser encarada como algo "natural" no plano cultural dos nossos dias através da sua reprodução e utilização por parte dos média.
As novas tecnologias permitiram o desenvolvimento de um novo tipo de cultura - a digital - que rapidamente tomou conta do panorama cultural: instituições como museus e centros de arte passaram a ter uma página na World Wide Web. Artistas criaram projectos específicos para a Internet, que se desenvolveram segundo características próprias. Em pouco mais de dez anos, a arte digital cresceu e desenvolveu-se de tal maneira que na actualidade existem já museus dedicados especificamente a este novo meio artístico, como o New Media Museum em Nova Yorque. Outros, como o MOMA de NY, passaram a integrar a arte digital nas suas colecções.
Aparentemente, aquilo que parecia ser um problema para a estabilidade do autor e da sua obra converteu-se na característica de um novo meio artístico (as novas tecnologias permitiram diferentes abordagens do estatuto da obra de arte, questionando por um lado a materialidade da obra - à qual estavam ligadas todas as estratégias de mercado - e por outro a própria autoria, através da crescente intervenção do público no produto final e na partilha da autoria entre vários autores em inúmeros projectos).
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